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sábado, 11 de janeiro de 2014

SOCIEDADE, ECONOMIA E CULTURA URBANOSANTENSE: É DIA DE FARINHADA!

A farinha de mandioca, farinha de puba ou farinha d`água e a farinha seca é um derivado da matéria prima da mandioca, conhecida cientificamente por “Manihot esculenta.” A arte de fazer farinha é uma atividade centenária herdada dos nossos ancestrais indígenas da América Latina. Há estudos afirmativos que a fabricação de farinha no Brasil tenha também a contribuição cultural dos Africanos que aqui trabalharam como escravos nos séculos XVI, XVII, XVII e XIX.

Mas é certo que a mandioca tenha sua origem nas terras americanas, onde explica a nota: “O nome dado ao caule do pé de mandioca é maniva, o qual, cortado em pedaços é usado no plantio. Trata-se de um arbusto que teria tido sua origem mais remota no oeste do Brasil (sudoeste da Amazônia) e que, antes da chegada dos europeus à América, já estaria disseminado, como cultivo alimentar, até a Mesoamérica (Guatemala e México). Espalhada para diversas partes do mundo, tem hoje a Nigéria como seu maior produtor. No Brasil, possui muitos nomes, usados em diferentes regiões, tais como: mandioca-brava - a que contém o veneno ácido cianídrico, aipim, castelinha, macaxeira, mandioca-doce, najazinha, branquinha, praiana, mandioca-mansa, maniva, maniveira, pão-de-pobre e variedades como aiapuã e caiabana, ou nomes que designam apenas a raiz, como caarina.”

 
Urbano Santos já foi uma cidade líder na fabricação de farinha no Estado do Maranhão. Nos anos 70, 80 e 90, saía de nosso município muitas carradas de paneiros e sacos de farinha de puba, para a venda em outras cidades do Estado e principalmente para a comercialização na Capital São Luís. A farinha produzida no Município de Urbano Santos era conhecida nesse tempo como especial, bem amarela e sequinha.
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Em alguns casos os seus fabricantes adicionavam à massa, manteiga e côco, para dar um sabor muito mais irresistível. Muitas comunidades principalmente da zona rural viviam da produção de farinha, que tem sua fase inicial no mês de Julho indo até final de Novembro.

Para esse processo tudo começa no plantio lá na roça. Quando o lavrador ao acordar cedinho leva sua família para “plantar maniva” enquanto uns cavam o chão, outros cortam o caule da planta em pedaços de dezesseis a vinte centímetros, onde outras pessoas vão concluindo colocando-os na cova e cobrindo com pouca terra.

Após um determinado tempo, surgem os primeiros brotos e então nasce dali uma bela roça de mandioca (são miguel – san nunga ou roça de janeiro). Depois de um ano a mandioca está madura, no ponto da colheita. É hora de preparar os jegues com jacás (recipiente feito de talas de bambú) e xaxos (um pedaço de metal com um cabo de madeira) para arrancar a mandioca da terra.

Arranca-se as raízes da terra, levando-as até o pubeiro (local onde se coloca as raízes de molho durante três dias). Passando-se esse período é o momento de “tirar a puba” as raízes já sem o leite e amolecidas são lavadas e colocadas nos jacás novamente e destinadas aos girais (espécie de suporte feito de madeira e coberto de palhas para alojar a puba). Do giral a puba vai para o “banco do caititú” e em seguida a massa é triturada.

Para acontecer esse processo, antigamente se usava a famosa “bulandeira” (roda de madeira) onde na maioria das vezes, dois homens com as forças dos braços, puxavam a roda que através de uma correia feita de couro cru anexada à púlia (pequeno pedaço de madeira escavado) girava a “bola do caititu” (uma espécie de ralo) parecida com o porco caititu das selvas da América. Nesse sentido uma mulher sentada no banco faz o manejo do ralamento perigoso da puba.


Depois a massa já triturada é, colocada nos “tipitis” (cestos compridos feitos de palha de buriti), a massa é escorrida e depositada na gamela para ser peneirada, usa-se uma peneira feita de talas de tabocas, guarimã ou buriti para esse sistema. A massa peneirada é enviada para o forno, que já está muito aquecido e ensebado com sebo de gado, para não grudar a massa no metal ou cobre.

Os primeiros momentos chama-se “passar a massa” depois da massa passada no vai-e-vem do rôdo, ela é recolocada em outro forno para o ponto final, conhecido como “secar a farinha” (apuramento da farinha). Passado esse momento a farinha torrada é depositada nas gamelas para o esfriamento e depois de fria, segue-se o sistema de empaneiramento da farinha.


Os lavradores tem o costume de fabricar os côfos (cestos de palha de babaçú) e colher folhas de axixá, guarimã ou bananeiras quando necessitam de por a farinha nos paneiros. Os paneiros são forrados com as folhas para o alojamento da farinha. Portanto chega-se ao fim da farinhada.

Os lavradores vendem a farinha para resolverem seus negócios.  Nos anos oitenta e noventa em Urbano Santos era muito comum, os trabalhadores rurais se prepararem para a farinhada com o intuito de vendê-la para arrumarem um dinheiro e passar o “FESTEJO” em Setembro. Essa prática é mantida até os dias de hoje em nossa cultura.

Urbano Santos foi grande campeão de fabricação de farinha. Isso tem que ser reconhecido, pois as gerações contemporâneas devem tomarem conhecimentos desse maravilhoso processo que contribui para o avanço do nosso município tanto na questão socioeconômica, quanto cultural e social, se perpetuando de gerações para gerações. “Farinhada é motivo de alegria, força do trabalho rural, cultura e desenvolvimento sustentável.”

AS FOTOS SÃO DE UMA FAMÍLIA FAZENDO FARINHA NA CASA DE FORNO, NO POVOADO BAIXA GRANDE - MUNICÍPIO DE URBANO SANTOS, ESTADO DO MARANHÃO – BRASIL. Pesquisa feita por José Antônio Basto - Urbanosantense.

JOSÉ ANTÔNIO BASTO -
Poeta e pesquisador - (98) 98890-4162 - bastosandero65@gmail.com

1 comentário:

  1. Parabéns pela reportagem, isso engrandece o trabalhador Rural que é um homem sofrido mais digno, divulgar, incentivar e apoiar essa classe é um ato de louvor.
    José Raimundo de Sousa SANTOS

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